07 março 2023

 


6 comentários:

Anónimo disse...

Estava à espera deste seu post sobre o túmulo de Deir el-Bahri.
A mulher fantástica que era filha de um faraó, Tutmés I, casou com um faraó, Tutmés II, que era seu irmão (como era habitual nas dinastias egípcias) e serviu como co-regente durante muitos anos a Tutmés III, que não era seu filho, o que ainda é mais raro.
Normalmente as co-regentes, quando ascendiam a essa posição, faziam-no porque eram as mães biológicas dos faraós, ainda sem idade para ascender ao trono, como era este o caso.
Mas esta princesa deve ter sido uma mulher poderosa e muito bem assessorada e, rodeada de altos dignitários que a suportaram, de outra forma não o conseguiria.
O sistema egípcio era patriarcal e uma mulher dificilmente teria meios de subsistir.
Algumas outras princesas ascenderam ao trono, mas nenhuma igualou o poder de Hatshepsut, para o que deve ter contribuído a prosperidade que se vivia na época em que subiu ao trono.
O Egipto, saído de um período intermédio, dominado pelos Hicsos, tinha demorado algum tempo a recompor-se, mas tinha-o conseguido com sucesso.
Apesar dos faraós posteriores terem tentado por todas as formas destruir a memória desta rainha (Tutmés III não lhe deve ter perdoado o facto de ela lhe ter usurpado o poder durante os seus primeiros 20 anos de reinado), ela hoje persiste - a verdade vem sempre ao de cima!!! Era do interesse de Tutmés III certificar que ele é que era o verdadeiro faraó, e que a sua antecessora não tinha sido mais que uma usurpadora.
Creio que Hapshepsut teve o raro condão de saber rodear-se das pessoas certas, e fez-se sempre representada pelos símbolos de poder masculinos, como é o caso da barba postiça. Claro que era importante para uma mulher impor-se num mundo de homens e regido por homens, e este método é tão bom como qualquer outro.
Esta mulher foi genial na sua política, pois, de forma genérica (teve algumas campanhas militares contra a Nubia), governou tentando manter a paz com os vizinhos, abrindo as rotas de comércio que tinham sido destruídas pelos Hicsos, tendo uma política de construção hábil, para dar trabalho a uma população que, durante uma parte significativa do ano não tinha nada que fazer, pois a época dedicada à lavoura, governada pelas cheias do Nilo, era curta.
Teve construtores/arquitetos que lhe souberam planear o melhor que se produziu à época - afinal ela pertence à célebre XVIII dinastia, que deu alguns dos tesouros que hoje associamos ao Egipto.
Muito do templo de Karnak a ela se deve. Para não falar deste túmulo gigantesco e fantástico no seu design (lindíssimo!), que alguns autores dizem ter sido projetado por Senenmut, que muitos creem ter sido um seu amante, visto o seu túmulo residir neste vasto complexo de Deir el-Bahri, mas ... isto já são intrigas...
Muito obrigado pela sua reportagem
Manel

Teresa Isabel Silva disse...

Fantástico!

Bjxxx
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Francisco disse...

Manel

Obrigado pela partilha da sua sabedoria, só posso acrescentar
" que alguns autores dizem ter sido projetado por Senenmut, que muitos creem ter sido um seu amante, visto o seu túmulo residir neste vasto complexo de Deir el-Bahri, mas ... isto já são intrigas..."

Está na segunda foto do lado direito, se conseguir ver o caminho desenhado :)

Abraço e o meu Bem Haja

Francisco disse...

Teresa Isabel Silva

Ao vivo é Soberbo ;)

Beijinhos

Anónimo disse...

Estou a adorar esta viagem e espero de facto um dia conseguir ir lá também. :)

Francisco disse...

João

Oxalá que consigas :) e ires acompanhado em lua de mel ;)